A influência da arquitetura nas produções cinematográficas

by - agosto 15, 2018

Maquete de 1,5 metros de altura construída para o filme O Grand Hotel Budapeste do diretor Wes Anderson
Cenários são pontos de partida primordiais para uma produção cinematográfica. Os filmes seriam vazios sem o espaço que envolve toda a equipe. A relação entre arquitetura e cinema é o que faz com que as duas formas de expressão de arte sejam entregues e se façam significativas. A arquitetura chama a atenção e faz seu papel para ambientação, metáforas visuais e se encaixa na escolha estética dos diretores, tornando-se marcante em grandes filmes. A conceituação dessas grandes obras não só depende mas também conversa diretamente com a arquitetura e toda a questão estética da obra.

Encontramos ambientes medievais, megalópoles, casas de todos os tipos e prisões. É assim que a arquitetura ergue os cenários nos filmes e gera um reconhecimento de geográfico narrativo que torna a paisagem o protagonista de toda a história, instigando o imaginário fílmico que é responsável por passar ao espectador a relação de épocas e lugares através de suas estruturas. Assim, todos os ambientes criados ou utilizados pelos diretores trabalham na tentativa de criar uma identificação entre o público e a obra. 

Une-se também o trabalho com o tempo, garantindo a sensação de realidade do que está sendo filmado, tonificando a experiência sensorial. Há também o sentimento de pertencimento gerado pela utilização de locações reconhecidas pelo público, desencadeando associações mentais e emocionais através da paisagem. É neste ponto onde os filmes firmam seu trabalho visual externo, focando em planos de prédios históricos, monumentos, praças e até mesmo acidentes naturais na intenção de gerar identificação imediata com o público, atingindo-o de forma sentimental. 

Entre outros pontos, arquitetura e cinema se complementam e tornam mais fáceis percepções da realidade através de um trabalho visual minucioso. Tornando essencial o trabalho de diretores, diretores de arte e claro, arquitetos. É claramente observado que a arquitetura dentro do cinema funciona diretamente relacionada a tempo, espaço e movimento. As duas expressões artísticas funcionam como formas práticas para a construção do espaço. Assim, o cinema se trata de uma prática arquitetônica e urbana, afetando até mesmo os aspectos políticos, reinventando espaços frequentemente. 

O observador da arquitetura é o mesmo do cinema como mostrado por Sergei Einstein em seu artigo Montage and Architecture. Ele explica que a experiência do espectador se faz a mesma, elevando aspectos perceptuais visuais que gera uma linha tênue entre a imagem real e a imagem fílmica. O observador na arquitetura une a experiência de estar no espaço, reconhecer suas formas e sentir conexão com o lugar assim como o espectador de cinema o faz. 

O cinema recria os espaços urbanos, monta interiores e analisa a melhor forma de retratar o futuro. O trabalho é aliado às câmeras, criando ângulos de visão para o espectador. Isso faz com que os espaços de vivência e as narrativas se tornem mais pessoais e identificáveis. A experiência das câmeras de observar a cidade como um todo, sobrevoando arranha-céus através de shots from above, na tentativa de localizar o espectador faz com que o espaço se torne familiar e que a narrativa seja mais facilmente compreendida. 

Quando em espaços menores, entendemos melhor nossa percepção como indivíduo dentro daquele lugar, incorporando nosso pensamento à experiência e adaptando a visão, adquirindo novos sentidos e novas sensações. Todo este trabalho de ambientação só é possível através dos cenógrafos, profissionais que criam os cenários em estúdio ou adaptam locações para serem utilizadas como set de filmagens. Os cenógrafos são profissionais com noção de arquitetura, construção, resistência de materiais e normas de segurança. É necessário que a junção de todo o conhecimento resulte no que é visto nas telas de cinema. Assim, o cenógrafo executa a ideia apresentada pelo produtor executivo até encontrar o cenário perfeito que se adapte melhor às exigências. É aqui que o trabalho arquitetônico se junta à direção de arte na conceituação da narrativa até que tudo saia da forma perfeita para que todas as sensações fílmicas possam ser aproveitadas. 

Sendo assim, o cinema cria mais uma área de atuação para arquitetos abrindo um pouco mais o mercado de trabalho e possibilitando ao profissional uma nova chance do "observar". Este é o primeiro texto de uma série sobre arquitetura e cinema que vou colocar aos poucos aqui no blog. Se você quer entender como a arquitetura influencia diretamente tanto o público quanto a obra, só ficar ligado nos textos que vou liberando aos poucos. 

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