O amor pessimista nos filmes de romance

by - agosto 17, 2018

Namorados Para Sempre (2010)
Quando pensamos em filmes do romance, prontamente nossa mente se enche das histórias de amor mais clichês possíveis, o amor idealizado onde o casal se conhece, algo os distancia mas eles logo encontram seu caminho de volta e vivem felizes para sempre. Tudo bem, no fundo a gente precisa de algo para aquecer o coração e nos fazem acreditar no amor mais bonito possível mas alguns filmes nos passam uma visão bem mais crua e sincera do que é o amor.

Me lembro quando vi Namorados Para Sempre (2010) pela primeira vez. Fiquei horas refletindo sobre como a visão pessimista do amor parecia ser muito mais próxima da vida real. No longa, o casal principal - Ryan Gosling e Michelle Williams - tenta se manter no casamento falido já que as memórias e os bons momentos que viveram juntos parecem importantes demais para serem deixados para trás. Mas é justamente pela quantidade de coisas que viveram e pela rotina que tudo acaba ruindo por completo. O filme é cru e sincero demais ao mostrar que muitas vezes a estabilidade pode não ser a melhor forma de se manter um namoro. Na tentativa de consertar e manter as coisas, o casal acaba se machucando e a cena final é silenciosa mas tenta nos mostrar que as vezes estamos tão atrelados aos sentimentos e ao momentos que esquecemos de notar se aquilo realmente está dando certo.

Em alguns relacionamentos esse apego à memórias ou ao relacionamento em si pode acabar levando à solidão. É estranho se pensarmos em como alguém pode estar solitário em um relacionamento mas isso acontece e é muito bem retratado em Encontros e Desencontros (2003), um clássico de Sofia Coppola. O filme mostra que além de nos sentirmos solitários em um relacionamento também pode ser assustador como a pessoa ao seu lado toma um rumo diferente do seu e as vidas estão seguindo separadamente. De um lado temos Charlotte (Scarlett Johansson) que está acompanhando o marido e se sente sozinha e confusa sobre o rumo que a relação está tomando e do outro lado temos Bob (Bill Murray), um homem mais velho em um casamento infeliz de 20 anos.

A vida dos dois se entrelaça entre os encontros e desencontros e eles se entendem dentro da melancolia e dos problemas parecidos em seus relacionamentos. Em uma alegoria com o título original Lost In Translation (Perdido na Tradução), o roteiro tenta nos mostrar como os protagonistas se sentem perdidos emocionalmente, principalmente com inserções de conversas em japonês - já que o filme de passa em Tóquio - enquanto os personagens não entendem o que as pessoas estão falando. Isso faz com que entendamos que eles estão perdidos não só em sua vida amorosa mas nas escolhas que fizeram e na vida como um todo. Enquanto eles estão em um caos completo, as coisas parecem se acalmar quando os protagonistas se encontram e isso fica claro em uma cena onde eles conseguem dormir depois de várias noites de insônia

Conversando diretamente com relacionamento fracassado e o fato de conhecer outras pessoas, Closer - Perto Demais (2004) também transita entre dois casais mas desta vez temos quatro visões diferentes. Dan e Alice (Jude Law e Natalie Portman) e Anna e Larry (Julia Roberts e Clive Owen) são casais que aparentemente levam a vida de forma muito concisa e estável. Todos ocupam cargos onde a compreensão espacial e pessoal se encaixam muito bem - stripper, fotógrafa, escritor e dermatologista - mas essa compreensão não parece ser o suficiente para que eles se sintam seguros dentro de um relacionamento. O filme fala sobre amor, insegurança, sentimentos primários e intensidade. A tentativa de levar uma relação honesta parece ser difícil demais para os casais e isso traz à tona discussões sobre os diferentes pontos de vista de traições e como elas parecem resultar em novas tentativas. O problema é que dentro das relações desta "pós-modernidade", os casais não conseguem ter seu ego abalado quando recebem informações demais sobre traições, as vidas individuais de cada um durante separações e a quantidade exacerbada de sentimento. O egoísmo e a hipocrisia parecem render ao filme grande parte de suas cenas memoráveis.
Seis Anos (2015)
E falando sobre traições e consequências, em 2015 a Netflix produziu Seis Anos, um filme simples mas com uma carga emocional muito grande. É claro que o filme tem seu público alvo definido então talvez não toque todas as pessoas da mesma maneira. Um casal acaba de se formar e novas oportunidades aparecem, mesmo com seis anos de relacionamento, observamos como os caminhos diferentes parecem se tornar uma questão realmente importante. Depois que Dan (Ben Rosenfield) trai Mel (Taissa Farmiga), a visão de mundo dos dois parece mudar por completo e eles começam a perceber que querem viver coisas diferentes mesmo se amando se forma intensa. O filme tenta mostrar o peso da uma relação duradoura quando os dois são muito jovens e se vêem obrigados a pensar no futuro e perceber que talvez eles não fiquem juntos, afinal. Outro que tem o roteiro bem parecido é Loucamente Apaixonados. O casal se conhece e vive de maneira intensa mas as coisas mudam quando a garota precisa voltar para sua cidade natal, Londres, para continuar com a sua vida. Bem mais do que a mudança de vida esse filme também trata um pouco sobre a distância, sobre como outras pessoas influenciam - mesmo que indiretamente - o relacionamento e como certas coisas não podem ser consertadas.

Se pudéssemos unir todos os aspectos desses filmes em um só, Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças (2004) seria um bom resumão. É claro que atualmente o filme é um clichê e dificilmente você ainda não assistiu mas é importantíssimo notar como o roteiro foi cuidadoso ao inserir situações reais de relacionamento ao imaginário de simplesmente apagar alguém de nossas memórias. “Eu não consigo me lembrar de nada que não tenha você”, é definitivamente uma das frases mais fortes quando pensamos em términos, principalmente de relacionamentos longos. Em meio a flashbacks e o desespero emocional, Brilho Eterno nos mostra fases do relacionamento desde a idealização da pessoa até a despedida. E conseguimos ver uma semelhança com Closer ao percebermos que talvez, mesmo apagando a pessoa da sua vida, ela sempre vai acabar voltando para você.

No final, todos esses filmes são sim melancólicos e até pessimistas em relação ao amor. Mas é isso que relacionamentos são, afinal. Nem sempre tudo vai dar certo, nem tudo é para sempre, idealizações geram decepções e despedidas são realmente terríveis. Se você ficar muito magoado com algum desses filmes, relaxa! A indústria cinematográfica se preocupou em produzir para você uma quantidade enorme de filmes que vão acalmar o seu coração e Nicholas Sparks não vai parar de escrever romances piegas para serem adaptados. Escolha a sua vertente romântica e me diz aí o que achou! 

 FILMES CITADOS:  Namorados Para Sempre (2010), Encontros e Desencontros (2003), Closer - Perto Demais (2004), Seis Anos (2015), Loucamente Apaixonados (2011) e Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças (2004).

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