A arte de Guillermo del Toro

by - julho 08, 2018

Em 2018 quando Guillermo del Toro venceu o Golden Globes de Melhor Diretor e também o Oscar de Melhor Diretor por A Forma D'Água, decidi analisar um pouco seu estilo de direção e como seus filmes se diferenciam de forma fantástica. Guillermo del Toro é cineasta e escritor mexicano, o cara mudou o gênero da fantasia e colocou sua visão em filmes, participações em séries e até games. Ele começou com curtas e evoluiu para um diretor fantástico. Del Toro envolve fantasia, psique humana e terror em seus longas, uma realidade que ele insere com base em suas crenças. Em 1994 seu primeiro filme com orçamento foi lançado, o Cronos, uma história fantasiosa sobre alquimia e muito loucura. Mas foi em Blade II (2002) que as distribuidoras começaram a realmente acreditar na fantasia do cara. Um pouco mais a frente, em 2004, um de seus trabalhos realmente se destacou e recebeu notas altas, Hellboy, adaptação de um quadrinho que foge completamente do estereótipo de herói onde o protagonista é um garoto com aparência de demônio e mão de pedra. 

Hellboy se tornou uma história mais popular depois do trabalho de Del Toro, ele conseguiu que o público da HQ crescesse e saísse um pouco do underground. Este é um trabalho absolutamente notável no cinema, principalmente se tratando de um personagem tão fora da caixa. E foi aí que realmente alavancou o seu trabalho começou a ser reconhecido. O sucesso foi tão grande que o Hellboy II: O Exército Dourado (2008) foi lançado e arrecadou um número recorde dentro dos filmes de Del Toro, U$ 160.000.000,00, 87% de aprovação no Rotten Tomatoes e uma indicação ao Oscar de Maquiagem. Em 2017 rolou até uma campanha para que Hellboy III acontecesse mas acabou sendo cancelado depois de um tempo.

Entre Hellboy e Hellboy II, Del Toro lançou O Labirinto do Fauno (2006), um dos meus filmes favoritos do diretor. A história é quase um conto de fadas cheio de tons obscuros sobre Ofélia e sua mãe doente que chegam ao posto do novo marido de sua mãe, um sádico oficial do exército que está tentando reprimir uma guerrilheira. Este é um dos trabalhos mais impecáveis de Del Toro. A concepção do universo, criação dos personagens, fotografia, maquiagem, todos os pontos do longa são extremamente bem feitos. O filme pode ser confuso e dark demais, além de ser aberto à conclusões sobre a história mas é notável o trabalho bem feito. Não é atoa que rendeu mais de trinta prêmios sendo destes, três Oscar em 2007, Melhor Fotografia, Melhor Direção de Arte e Melhor Maquiagem e Penteados. Quando assistir O Labirinto do Fauno note a perfeição nas criaturas, as fadas, o fauno e todos os outros. É simplesmente fantástico! 

Depois de algum tempo sem produzir, Del Toro lançou Círculo de Fogo (2013) com criaturas gigantes e invasões bizarras, criações tecnológicas e guerras. Com um tom bem descompromissado e até divertido. Já em 2015 seu lançamento foi A Colina Escarlate uma história sobre uma mansão mal assombrada e investigação. Para mim, este é um trabalho que lembra muito os filmes de outro diretor fantástico, o Tim Burton. A forma como a casa é apresentada, a fotografia e o figurino se assemelham muito a trabalhos deste outro diretor que também segue uma linha mais fantasiosa com uma pegada de terror em seus filmes.

Del Toro não apenas dirigiu mas também escreveu todos os seus filmes e alguns livros, The Strain (2009), The Fall (2010) e The Night Eternal (2011) que foram adaptados em 2014 para uma série de televisão com o nome do primeiro livro onde o cara foi diretor, produtor e roteirista. Há também um especial de Halloween dos Simpsons em que a direção foi dele e vários de seus personagens estão incluídos no episódio. Ainda é cogitado que o cara adapte Liga da Justiça Sombria para os cinemas. A história é sobre como o Batman reúne uma nova equipe formada por heróis míticos como o Monstro do Pântano, o Demônio e Constantine, ou seja, um prato cheio para o diretor. 

25 anos depois de começar seu trabalho como diretor, venceu seu primeiro Globo de Ouro. Sua indicação veio pelo filme A Forma Da Água (2017). Este é mais um filme com as criaturas de Guillermo e conta a história de Elisa, que é uma zeladora muda que trabalha em um laboratório onde um homem anfíbio está sendo mantido em cativeiro. Quando Elisa se apaixona com a criatura, ela elabora um plano para ajudá-lo a escapar com a ajuda de seu vizinho. O longa é, sem dúvida, ais um filme lindo e cheio de cuidados do cara.
Este é o diferencial de Guillermo del Toro, sua paixão por monstros, criaturas, obscuridade, faz com que sua forma de criar e dirigir transborde muito além do que seria o simples.

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